Não foi simples explicar à oliveira os processos mentais conducentes à condescendência.
Felizmente, tudo se tornou claro depois de lhe explicar o que era a arrogância.
- E como se evita?
- Não evitas.
- Então o que faço?
- Ignora até não conseguires mais.
- E depois?
- Aguentas mais um bocadinho.
- E se já não aguentar mais?
- És uma oliveira. Nasceste oliveira. Às vezes, a condescendência é tudo o que o mundo tem para te oferecer.
- Por ser uma oliveira?
- E por saberes que os outros não o são.
- Não percebo.
- Mas hás-de perceber. Ao contrário deles.
- Estás a ser condescendente?
- Não, estou a ser honesta.
- Às vezes não se percebe bem...
- Pois não.
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Friday, November 16, 2012
da condescendência
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita,
só temos o que está exposto
Monday, October 24, 2011
da série perdidos da gaveta, livro III do apocalipse mariapiense, epístola às oliveiras vindouras
A minha casa não é minha. O meu bisavô viveu aqui com os três filhos e a mulher. Os filhos casaram-se, ele morreu. A minha bisavó viveu mais uns anos. E viveu aqui com o filho (o meu avô) a mulher dele (a minha avó) o filho deles (o meu pai). O meu avô morreu. A minha bisavó morreu. O meu pai casou-se - com a minha mãe, naturalmente - e veio para cá. Eu nasci, a minha avó morreu. Os meus pais mudaram-se. Fiquei eu. Esta casa não é minha, porque eu só vivo aqui, consciente da minha enferma insignificância para estas paredes que viram anjos e demónios, amor e ódio, doença e morte e vida. E osgas. Muitas osgas. Nem todas sobreviveram, sobretudo as que foram avistadas pela minha mãe.
Se a cómoda que está no meu quarto, a mesma que esteve no quarto da minha bisavó, da minha avó e da minha mãe, decidisse um dia falar comigo, talvez me contasse o que se passou no dia em que os meus tios-avôs, uma tríade de maduros lisboetas, foi para o torel por insultar um polícia. A história faz do meu bisavô um colosso, que com uma bofetada bem aplicada na cara de um, mandou os outros dois ao chão. Ou de quando o Anjinho caiu do 2º andar, pelo vão das escadas, e aterrou de pé no rés-do-chão, incólume. Imagino o tabefe de nervos preso na palma da mão da dona Emília...
Esta casa guarda tudo o que sou, o que não fui e o que poderia ter sido; sabe coisas que eu não sei, coisas que eu gostaria de saber e outras tantas que preferia que não soubesse, mas alguém tinha de ser cúmplice.
Esta casa é de muita gente antes de mim e assim continuará até que de mim seja gerada outra pessoa. Quando isso acontecer, de novo pintarei as paredes, mudarei os móveis de sítio, dormirei noutro quarto, para que nenhum dos segredos seja revelado antes de tempo. Para que os meus bisavós, os meus avós, os meus pais e eu permaneçamos. E para que nenhuma osga fique sem tecto.
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita,
és o agamémnon da minha cassandra
Friday, September 16, 2011
ABECEDÁRIO DE UMA OLIVEIRA COM SEDE
A Violeta diz-me que sa
B e que a eurídi
C e, um
D ia, vai voltar ao quintal. Diz que volta s
E mpre, que não
F az por mal quando se tranca em casa, que são amar
G uras passageiras de uma
H ipocondríaca melancól
I ca reincidente, que
J á o anjinho era assim, que não há nada a fazer. Fico sempre ca
L ada, sem saber o que dizer. Não sei do que fala. Eu não tenho a
M arguras. Te
N ho raízes, terra, um prat
O para a água e uma janela
P ara o interior. O que sei é
Q ue não me
R ega há
S emanas e que tenho sede e calor e frio e que
T enho de aprender a ir sozinha do q
U intal à estante da sala, que isto de não ter li
V ros para ler é pior que viver numa cai
X a de cartão sem buraquinhos por onde entrar lu
Z .
A Violeta diz-me que sa
B e que a eurídi
C e, um
D ia, vai voltar ao quintal. Diz que volta s
E mpre, que não
F az por mal quando se tranca em casa, que são amar
G uras passageiras de uma
H ipocondríaca melancól
I ca reincidente, que
J á o anjinho era assim, que não há nada a fazer. Fico sempre ca
L ada, sem saber o que dizer. Não sei do que fala. Eu não tenho a
M arguras. Te
N ho raízes, terra, um prat
O para a água e uma janela
P ara o interior. O que sei é
Q ue não me
R ega há
S emanas e que tenho sede e calor e frio e que
T enho de aprender a ir sozinha do q
U intal à estante da sala, que isto de não ter li
V ros para ler é pior que viver numa cai
X a de cartão sem buraquinhos por onde entrar lu
Z .
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita,
crise de espondilose
Thursday, August 25, 2011
Da série Dramas da vida real e casos da vida, tardes da júlia e senhoras que possuem santinhas que choram, utilizam óculos e auferem pensões de miséria - caderno II
também conhecido como
Procrastina, valente - volume LXXVIII
A minha oliveira anunciou há dias o fim da sua não-tão-longa-quanto-isso amizade com a dona Joanilde, a amiga imaginária, escriturária reformada com dois filhos, um que já acabou a faculdade e é director (?!) e outra que é linda como o Sol, casa para o ano.
Não fosse este o segundo comunicado do género nos últimos meses (antes da dona Joanilde tinha sido o senhor Adérito, dono de uma loja de ferragens que escrevia poemas do Ultramar e tinha a mulher na retraite), nem me perguntaria (tão pouco a ela) razão de tanta desamizade.
Achei por bem tentar ir ao fundo da questão, não fosse a minha oliveira estar a transformar-se num criatura anti-social, abespinhada, solitária (teria a quem sair, coitadinha) e perguntar-lhe, enfim, qual o problema dos amigos imaginários que tem tido, para não querer continuar a ser amiga deles.
- Não consigo acreditar neles.
também conhecido como
Procrastina, valente - volume LXXVIII
A minha oliveira anunciou há dias o fim da sua não-tão-longa-quanto-isso amizade com a dona Joanilde, a amiga imaginária, escriturária reformada com dois filhos, um que já acabou a faculdade e é director (?!) e outra que é linda como o Sol, casa para o ano.
Não fosse este o segundo comunicado do género nos últimos meses (antes da dona Joanilde tinha sido o senhor Adérito, dono de uma loja de ferragens que escrevia poemas do Ultramar e tinha a mulher na retraite), nem me perguntaria (tão pouco a ela) razão de tanta desamizade.
Achei por bem tentar ir ao fundo da questão, não fosse a minha oliveira estar a transformar-se num criatura anti-social, abespinhada, solitária (teria a quem sair, coitadinha) e perguntar-lhe, enfim, qual o problema dos amigos imaginários que tem tido, para não querer continuar a ser amiga deles.
- Não consigo acreditar neles.
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita,
crise de espondilose
Tuesday, February 01, 2011
DO MEDO DO ATAVISMO MAIS QUE CERTO DAS CLASSES LITERATAS
(sim, é mais um post sobre academismo)
Da série Títulos Que Ficaram Para Trás
(sim, é mais um post sobre academismo)
Da série Títulos Que Ficaram Para Trás
1. A METAFÍSICA DO LUPANANR
Que é como quem diz, “em Portugal sempre se confundiu humanidade com vulgaridade”
Ou ainda
Ai meu deus, ajuda-me, que não somos nada, ou se calhar até somos, mas não é importante e vamos todos morrer à mesma. E eu não quero morrer assim.
2. DO LUPANAR A UTOPIA
percursos do Cristo-Menino do Romantismo ao Modernismo
3. DA METAFÍSICA DO LUPANAR AO ASCETISMO DA CRIANÇA RANHOSA
um estudo sobre dialéctica
4. LEVANTAS-ME A SAIA OUTRA VEZ E EU PARTO-TE A CARA À ESTALADA
uma análise da sexualidade de Pessoa aplicada ao Cristo-Menino (da perspectiva histórica e antropológica das raparigas das bilhas)
5. DA NOSSA SENHORA À LONGCHAMP
para uma história das malas
6. DA SÍFILIS NO CÉU AO BICHO DA ESCRITA NA TERRA
uma antologia de tragédias
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita,
crise de espondilose,
quem é que manda aqui?
Friday, January 21, 2011
DA AUSÊNCIA, que se faz tarde
Sim, temos andado arredias, eu e a eurídice.
Tal facto se deve a um importante trabalho em curso, do qual venho aqui dar conhecimento.
Trata-se de uma espécie de análise comparativa (ó, deuses no alto qualquer coiso, a ignomínia do passadismo!) entre Caeiro e Guerra Junqueiro - a rima não será acaso, acredito.
Não queria deixar de anunciar que habemus titulum, enfim, e que é de primeira água. É, inclusive, de esperar não mais precisar de escrever depois deste épico académico, pois nada mais ficará por dizer sobre nada neste mundo.
Sim, temos andado arredias, eu e a eurídice.
Tal facto se deve a um importante trabalho em curso, do qual venho aqui dar conhecimento.
Trata-se de uma espécie de análise comparativa (ó, deuses no alto qualquer coiso, a ignomínia do passadismo!) entre Caeiro e Guerra Junqueiro - a rima não será acaso, acredito.
Não queria deixar de anunciar que habemus titulum, enfim, e que é de primeira água. É, inclusive, de esperar não mais precisar de escrever depois deste épico académico, pois nada mais ficará por dizer sobre nada neste mundo.
A METAFÍSICA DO LUPANAR
Que é como quem diz, “em Portugal sempre se confundiu humanidade com vulgaridade”
Ou ainda
Ai meu deus, ajuda-me, que não somos nada, ou se calhar até somos, mas não é importante e vamos todos morrer à mesma. E eu não quero morrer assim.
Um ensaio de Eurídice Gomes
Espero, depois disto:
- dispensa da apresentação de tese
- convite para leccionar a cadeira "Estudos literários - Esse Absurdo Em que Insistis, Ó Bisonhas Criancinhas, Formar-vos Por Não Saberdes Matemática"
- a imortalidade, por ser uma árvore e o Caeiro diz que isto anda tudo ligado e que a Natureza é tudo e fala em árvores e vê muitas, ao que parece, e insinua que as mesmas serão imortais.
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita,
crise de espondilose
Tuesday, September 21, 2010
ELE HÁ DIAS
em que uma pessoa lá vai. Acorda e lá vai. Onde vai, nem a própria sabe.
Põe uma fruta e um iogurte na mala, agarra nas resmas de papel que a perseguem para onde quer que vá (até porque é ela quem insiste andar com o estaminé para trás e para a frente), diz até já à oliveira, suplica à Aurora que não tente voltar a sair do vaso (ainda se ela apanhasse a terra que espalha no processo...), sussurra às proto-nespereiras que vai correr tudo bem, que agora está encoberto mas que o céu vai abrir não tarda, deixa as bolachas-maria ao pé do teodoro, e lá vai.
E neste ir - lá - que demora, uma atroz e inexpugnável sensação de inércia apodera-se da nossa ida. Mas lá vamos, tentando não pensar muito nem no lá nem na ida.
E depois de ir, atravessa-me o fui: "E se a Aurora for até ao fundo do quintal e não conseguir voltar? E a Violeta, que foi ver a prima ao 54. Ando preocupada com ela. O quintal cheio de mosquitos e a criatura nem lhes toca. Será que perdeu o apetite? Estará doente? Será que pus água suficiente no prato da oliveira? Tenho de comprar um vaso para as nespereiras, que elas crescem a olhos vistos e precisam de espaço."
Quando regresso, já é tarde e o quintal dorme. A oliveira dorme pouco, conta-me como foi o dia, diz-me que aquela terra toda espalhada não foi a Autora, que ela hoje até ficou no vaso a desenhar bigodes nas noivas do catálogo de vestidos de noiva que vem anunciado no jornal que deixaste debaixo do vaso das nespereiras. Pergunto-lhe pela Violeta, se sabe d'alguma coisa...
- Anda um bocadinho em baixo. O sargento faria anos amanhã. Não sei quantos, ela não disse.
Tiro-lhe umas folhas secas dos ramos mais altos, ela agradece; pergunto-lhe se quer alguma coisa para ler e responde que não é preciso, que ainda não acabou o Benito Prada.
- Quando tens férias outra vez? - perguntou, baixinho, para não acordar a Aurora.
![]() |
| eu sou a pinguim da pastinha. |
em que uma pessoa lá vai. Acorda e lá vai. Onde vai, nem a própria sabe.
Põe uma fruta e um iogurte na mala, agarra nas resmas de papel que a perseguem para onde quer que vá (até porque é ela quem insiste andar com o estaminé para trás e para a frente), diz até já à oliveira, suplica à Aurora que não tente voltar a sair do vaso (ainda se ela apanhasse a terra que espalha no processo...), sussurra às proto-nespereiras que vai correr tudo bem, que agora está encoberto mas que o céu vai abrir não tarda, deixa as bolachas-maria ao pé do teodoro, e lá vai.
E neste ir - lá - que demora, uma atroz e inexpugnável sensação de inércia apodera-se da nossa ida. Mas lá vamos, tentando não pensar muito nem no lá nem na ida.
E depois de ir, atravessa-me o fui: "E se a Aurora for até ao fundo do quintal e não conseguir voltar? E a Violeta, que foi ver a prima ao 54. Ando preocupada com ela. O quintal cheio de mosquitos e a criatura nem lhes toca. Será que perdeu o apetite? Estará doente? Será que pus água suficiente no prato da oliveira? Tenho de comprar um vaso para as nespereiras, que elas crescem a olhos vistos e precisam de espaço."
Quando regresso, já é tarde e o quintal dorme. A oliveira dorme pouco, conta-me como foi o dia, diz-me que aquela terra toda espalhada não foi a Autora, que ela hoje até ficou no vaso a desenhar bigodes nas noivas do catálogo de vestidos de noiva que vem anunciado no jornal que deixaste debaixo do vaso das nespereiras. Pergunto-lhe pela Violeta, se sabe d'alguma coisa...
- Anda um bocadinho em baixo. O sargento faria anos amanhã. Não sei quantos, ela não disse.
Tiro-lhe umas folhas secas dos ramos mais altos, ela agradece; pergunto-lhe se quer alguma coisa para ler e responde que não é preciso, que ainda não acabou o Benito Prada.
- Quando tens férias outra vez? - perguntou, baixinho, para não acordar a Aurora.
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita
Monday, August 23, 2010
A OLIVEIRA ESTÁ A LER

"Quando o Padeiro Velho de Casdemundo teve a certeza de que Manolo Cabra lhe desfeitara a irmã, em dois segundos decidiu tudo. Nessa mesma noite matou-o de emboscada, arrastou o cadáver para o palheiro e foi acender o forno com umas vides que comprara para as empanadas da festa de San Bartolomé.
O irmão do meio encarregou-se de cortar a cabeça ao morto. O Padeiro Velho amanhou-o e depois chamuscou-o bem chamuscado. Às duas da manhã untou o Cabra de alto a baixo com o tempero, enfiando-lhe um espeto pelas nalgas. Às cinco estava assado.
"Caramba", disse o irmão do meio, que admirava todas as invenções do mais velho, "é à segoviana!"
"Mas não lhe pões o dente", cortou o outro.
Entretanto o mais novo, regressado já do Pereiro, aonde fora avisar o Padre Mestre, manifestou desejos de capar Manolo Cabra. O do meio olhou muito sério para o Padeiro Velho. Este cuspiu enojado e decretou:
"É tudo para os cães. E agora tragam-me lá a roupa do fiel defunto, que já não tem préstimo senão no inferno."
Se perguntassem ao Padeiro Velho o que mais queria naquele momento, teria respondido:
"Assar-lhe até a memória.""
Trabalhos e Paixões de Benito Prada, de Fernando Assis Pacheco
"Quando o Padeiro Velho de Casdemundo teve a certeza de que Manolo Cabra lhe desfeitara a irmã, em dois segundos decidiu tudo. Nessa mesma noite matou-o de emboscada, arrastou o cadáver para o palheiro e foi acender o forno com umas vides que comprara para as empanadas da festa de San Bartolomé.
O irmão do meio encarregou-se de cortar a cabeça ao morto. O Padeiro Velho amanhou-o e depois chamuscou-o bem chamuscado. Às duas da manhã untou o Cabra de alto a baixo com o tempero, enfiando-lhe um espeto pelas nalgas. Às cinco estava assado.
"Caramba", disse o irmão do meio, que admirava todas as invenções do mais velho, "é à segoviana!"
"Mas não lhe pões o dente", cortou o outro.
Entretanto o mais novo, regressado já do Pereiro, aonde fora avisar o Padre Mestre, manifestou desejos de capar Manolo Cabra. O do meio olhou muito sério para o Padeiro Velho. Este cuspiu enojado e decretou:
"É tudo para os cães. E agora tragam-me lá a roupa do fiel defunto, que já não tem préstimo senão no inferno."
Se perguntassem ao Padeiro Velho o que mais queria naquele momento, teria respondido:
"Assar-lhe até a memória.""
Trabalhos e Paixões de Benito Prada, de Fernando Assis Pacheco
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1º pessoa do plural à direita
Tuesday, May 25, 2010
SEM MEDO
disse-me a oliveira.
- Mas não é um blogue político, oliveira. Já sabes depois como é, as pessoas falam, dizem coisas, não compreendem, ficas triste.
- Isso é problema meu. Além disso, tudo é política hoje em dia e eu não tenho medo de ninguém e defendo os meus ideais e luto por aquilo que acho justo e contra o que é injusto e este é o meu quintal e o meu blogue e já quase não choro quando leio os bichos do Torga. E se pusesses o computador aqui à janela nem precisava de te pedir isto.
- Só estou a tentar explicar-te que já cá ando há mais tempo que tu e sei do que falo. Não quero ver-te triste e...
- Então não tenhas medo que eu também não.
On sera pas completement hypochrites.
disse-me a oliveira.
- Mas não é um blogue político, oliveira. Já sabes depois como é, as pessoas falam, dizem coisas, não compreendem, ficas triste.
- Isso é problema meu. Além disso, tudo é política hoje em dia e eu não tenho medo de ninguém e defendo os meus ideais e luto por aquilo que acho justo e contra o que é injusto e este é o meu quintal e o meu blogue e já quase não choro quando leio os bichos do Torga. E se pusesses o computador aqui à janela nem precisava de te pedir isto.
- Só estou a tentar explicar-te que já cá ando há mais tempo que tu e sei do que falo. Não quero ver-te triste e...
- Então não tenhas medo que eu também não.
On sera pas completement hypochrites.
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Monday, April 05, 2010
DA IMPERFEIÇÃO DOS VASOS
- Soube que o teu vaso fez anos. Quando pensa trocá-lo?
- Trocar de vaso? Não estava a pensar fazer tal coisa, mas por que perguntas? Não te parece bem o que tenho agora?
- Não me parece mal, por agora. Mas daqui a uns tempos esse há-de ficar pequenino, ou não?
- Já tenho este vaso há algum tempo, oliveira. Bem estimado ainda dura uns anos. E eu não vou crescer mais.
- Se o estimasses bem, a conversa era outra. E como não vais crescer mais? Então para que são esses livros todos?
- Decoração, essencialmente.
- Realmente está bonita, a casa. Mas vais trocar o meu vaso, não vais?
Este Verão, a oliveira da eurídice muda de vaso. E a eurídice vai ter mais cuidado com o vaso dela, que também se parte.
(e outros recipientes)
- Soube que o teu vaso fez anos. Quando pensa trocá-lo?
- Trocar de vaso? Não estava a pensar fazer tal coisa, mas por que perguntas? Não te parece bem o que tenho agora?
- Não me parece mal, por agora. Mas daqui a uns tempos esse há-de ficar pequenino, ou não?
- Já tenho este vaso há algum tempo, oliveira. Bem estimado ainda dura uns anos. E eu não vou crescer mais.
- Se o estimasses bem, a conversa era outra. E como não vais crescer mais? Então para que são esses livros todos?
- Decoração, essencialmente.
- Realmente está bonita, a casa. Mas vais trocar o meu vaso, não vais?
Este Verão, a oliveira da eurídice muda de vaso. E a eurídice vai ter mais cuidado com o vaso dela, que também se parte.
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1º pessoa do plural à direita
Saturday, February 13, 2010
Monday, February 08, 2010
ISTAMBUL
"Em todo o decurso da minha vida, o sentimento de ruína do Império Otomano e da tristeza pela miséria dos escombros que cobriam a cidade representaram os elementos característicos de Istambul. Passei a vida a lutar contra essa tristeza, ou então -- como acontece com todos os habitantes de Istambul -, a tentar aproximar-me dela." Istambul, Pamuk
A oliveira gosta de grandiosidades perdidas. Sente-se em casa, assim. Disse-me que tinha pena de não poder ir comigo, porque ainda é pequenina para andar de avião e porque não quer tirar o BI (andou a ler umas coisas...), mas eu já lhe disse que um dia vai crescer e o vento há-de encarregar-se do assunto.
Entretanto, é bom que ela e o mamute lanzudo se entendam, porque vão cá ficar uns dias a tomar conta um do outro (o iaque felpudo fez birra e vai comigo).
"Em todo o decurso da minha vida, o sentimento de ruína do Império Otomano e da tristeza pela miséria dos escombros que cobriam a cidade representaram os elementos característicos de Istambul. Passei a vida a lutar contra essa tristeza, ou então -- como acontece com todos os habitantes de Istambul -, a tentar aproximar-me dela." Istambul, Pamuk
A oliveira gosta de grandiosidades perdidas. Sente-se em casa, assim. Disse-me que tinha pena de não poder ir comigo, porque ainda é pequenina para andar de avião e porque não quer tirar o BI (andou a ler umas coisas...), mas eu já lhe disse que um dia vai crescer e o vento há-de encarregar-se do assunto.
Entretanto, é bom que ela e o mamute lanzudo se entendam, porque vão cá ficar uns dias a tomar conta um do outro (o iaque felpudo fez birra e vai comigo).
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1º pessoa do plural à direita
Wednesday, February 03, 2010
A MINHA OLIVEIRA É UMA EXAGERADA
Somos as duas, na verdade.
Somos as duas, na verdade.
tipos de folhagem - o inventário possível
1º pessoa do plural à direita,
crise de espondilose
Tuesday, January 05, 2010
EM 2010, A OLIVEIRA DA EURÍDICE VAI
acordar mais bem disposta todas as manhãs;
ser mais compreensiva com a infoexclusão do anjinho
agradecer quando a Menina Que Eu Sou E Que Eu Serei lhe varre a terra à volta do vaso e lhe dá água
dizer à eurídice que está tudo acabado com as couves da vizinha
ler menos franceses
explorar o bocadinho de quintal para lá das bilhas de gás, onde ficam as folhas velhas do tempo em que ali criava a Dona Emília galinhas e coelhos, entre muitas outras alimárias.
abrigar uma osga debaixo do prato do vaso
acordar mais bem disposta todas as manhãs;
ser mais compreensiva com a infoexclusão do anjinho
agradecer quando a Menina Que Eu Sou E Que Eu Serei lhe varre a terra à volta do vaso e lhe dá água
dizer à eurídice que está tudo acabado com as couves da vizinha
ler menos franceses
explorar o bocadinho de quintal para lá das bilhas de gás, onde ficam as folhas velhas do tempo em que ali criava a Dona Emília galinhas e coelhos, entre muitas outras alimárias.
abrigar uma osga debaixo do prato do vaso
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