eurídice sitiada - 2º dia
- Queres que me mande para cima dela. Posso não a matar, mas se lhe acertar com o tronco, de saúde não fica!
- Deixa, Aurora. Ela há-de cansar-se. Além disso, partias-me a janela toda. E hoje em dia é tão difícil encontrar um vidraceiro que me faça uma janela destas em condições...
- A dona Paciência esteve de intrigas com ela, hoje, sabias?
- Com a Soraia?
- Sim.
- Uma conspiração? Na minha própria casa!? Essa mulher não tem remédio. Vai já recambiada para a prateleira da filosofia. Alemã!
- Não achas que estás a ser demasiado severa com a velhota?
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Monday, November 07, 2011
tipos de folhagem - o inventário possível
crise de espondilose,
és o agamémnon da minha cassandra,
quem é que manda aqui?
Sunday, November 06, 2011
- Sei que é paranóia minha, mas ia jurar que aquela osga está a fazer-me uma espera. Desperta-me qualquer coisa que já não é só o costumeiro nojo ou o terror inusitado e desproporcional que tenho pelas criaturas da espécie.
- Não é paranóia nenhuma. Ela está mesmo à tua espera. À espera que saias ao quintal.
- Também é escusado gozares comigo dessa maneira. Sabes que me pelo de medo...
- Não estou a brincar, eurídice. Juro com estes dois (ramos) que a terra há-de comer, a rapariga está mesmo à tua espera. Não te lembras da dona Argentina? Claro que não te lembras, nunca te lembras de nada... Adiante. A dona Argentina é (era, paz à sua alma, deus a tenha em paz e sossego) a avó
- "deus a tenha em paz e sossego"?
- Não sejas chata. Cada um com a sua. E tu não tens poucas. Se fosse a ti, aproveitava agora para ficar caladinha. Queres saber ou não?
- Querer, querer, não quero. Mas também não queria ter uma osga colada à janela, e tenho. Claramente, a minha vontade neste quintal conta muito pouco.
- Não sejas fiteira e ouve lá o que tenho para te contar, que não te quero mal. A dona Argentina, dizia eu, é (era, paz à sua alma, deus a tenha em paz e sossego) a avó da Soraia, a osga que tens aí à janela. Não te lembrarás, claro, já vimos isso, mas a dona Argentina, que morreu há 10 anos em cima do telheiro, viveu 5 dos seus 15 anos sem uma perna e com um tique nervoso acentuado que a impedia de caminhar a direito. Nasceu, cresceu e (quase) morreu naquele que é considerado o pior momento da história das osgas deste quintal: a tua infância e pré-adolescência.
- Homessa, mas que fiz eu à desgraçada? Ai, espera... Não me digas que foi aquela que persegui até ao fundo do quintal de vassoura em riste, andava eu pelos meus 12 anos?
- Samente!
- "Samente"?
- Vai ao Youtube. Tem graça, por acaso.
- !?
- Mas sim, foi essa mesma. Conta-me a Soraia que a mãe lhe contou como a sua mãe, avó da Soraia, era doente dos nervos e, quando começaste a jogar basquete no quintal, foi a ruína da comunidade. A rede de basquete pendurada na parede foi o fim. Osgas de quintais vizinhos chegaram a achar que estavam 20 crianças neste quintal com 20 bolas cada uma.
- Não percebo como vem isso ao caso.
- Vem porque a dona Argentina foi parar ao muro proibido sem querer, coitadinha, já pouco lúcida e com o sentido de orientação arruinado pelas vibrações violentas das boladas que atiravas à parede. Uma vez no muro proibido, para além de gritares com os pulmões de um adulto e a intensidade de um infantário com 200 crianças à vista da Argentina (o que desorientou ainda mais a pobre), acertaste-lhe com a vassoura numa das pernas, que teve de ser amputada pela Violeta.
- (engulo em seco)
- A Soraia tem maus fígados, isso está visto. A Violeta tentou explicar-lhe que eras catraia, que não sabias distinguir as coisas, mas a outra, nada. Nunca chegou a conhecer a avó e a mãe, com o desgosto, emigrou para o quintal do 38 logo depois. Nasceu lá, sem família, sem amigos, com uma mãe aterrada e chorosa dia e noite. Agora voltou e quer vingança.
- Vingança? E como pretende uma osga de 7 centímetros vingar-se de uma mulher adulta? Vai engolir-me?
- Ela diz que sabe bem o que fazer.
- Não é paranóia nenhuma. Ela está mesmo à tua espera. À espera que saias ao quintal.
- Também é escusado gozares comigo dessa maneira. Sabes que me pelo de medo...
- Não estou a brincar, eurídice. Juro com estes dois (ramos) que a terra há-de comer, a rapariga está mesmo à tua espera. Não te lembras da dona Argentina? Claro que não te lembras, nunca te lembras de nada... Adiante. A dona Argentina é (era, paz à sua alma, deus a tenha em paz e sossego) a avó
- "deus a tenha em paz e sossego"?
- Não sejas chata. Cada um com a sua. E tu não tens poucas. Se fosse a ti, aproveitava agora para ficar caladinha. Queres saber ou não?
- Querer, querer, não quero. Mas também não queria ter uma osga colada à janela, e tenho. Claramente, a minha vontade neste quintal conta muito pouco.
- Não sejas fiteira e ouve lá o que tenho para te contar, que não te quero mal. A dona Argentina, dizia eu, é (era, paz à sua alma, deus a tenha em paz e sossego) a avó da Soraia, a osga que tens aí à janela. Não te lembrarás, claro, já vimos isso, mas a dona Argentina, que morreu há 10 anos em cima do telheiro, viveu 5 dos seus 15 anos sem uma perna e com um tique nervoso acentuado que a impedia de caminhar a direito. Nasceu, cresceu e (quase) morreu naquele que é considerado o pior momento da história das osgas deste quintal: a tua infância e pré-adolescência.
- Homessa, mas que fiz eu à desgraçada? Ai, espera... Não me digas que foi aquela que persegui até ao fundo do quintal de vassoura em riste, andava eu pelos meus 12 anos?
- Samente!
- "Samente"?
- Vai ao Youtube. Tem graça, por acaso.
- !?
- Mas sim, foi essa mesma. Conta-me a Soraia que a mãe lhe contou como a sua mãe, avó da Soraia, era doente dos nervos e, quando começaste a jogar basquete no quintal, foi a ruína da comunidade. A rede de basquete pendurada na parede foi o fim. Osgas de quintais vizinhos chegaram a achar que estavam 20 crianças neste quintal com 20 bolas cada uma.
- Não percebo como vem isso ao caso.
- Vem porque a dona Argentina foi parar ao muro proibido sem querer, coitadinha, já pouco lúcida e com o sentido de orientação arruinado pelas vibrações violentas das boladas que atiravas à parede. Uma vez no muro proibido, para além de gritares com os pulmões de um adulto e a intensidade de um infantário com 200 crianças à vista da Argentina (o que desorientou ainda mais a pobre), acertaste-lhe com a vassoura numa das pernas, que teve de ser amputada pela Violeta.
- (engulo em seco)
- A Soraia tem maus fígados, isso está visto. A Violeta tentou explicar-lhe que eras catraia, que não sabias distinguir as coisas, mas a outra, nada. Nunca chegou a conhecer a avó e a mãe, com o desgosto, emigrou para o quintal do 38 logo depois. Nasceu lá, sem família, sem amigos, com uma mãe aterrada e chorosa dia e noite. Agora voltou e quer vingança.
- Vingança? E como pretende uma osga de 7 centímetros vingar-se de uma mulher adulta? Vai engolir-me?
- Ela diz que sabe bem o que fazer.
tipos de folhagem - o inventário possível
crise de espondilose,
quem é que manda aqui?,
só temos o que está exposto
Friday, October 28, 2011
O desgraçado do moscardo - licenciado em Psicologia por um reputado politécnico - não sabia ao que ia quando decidiu analisar a minha oliveira.
De que tem medo?
De ficar sem água
Então tem medo da morte, será isso?
Não. Tenho medo de ficar sem água.
O que acha que lhe acontece se ficar sem água?
Fico com sede.
Não morre?
Não. Fico com sede. Que obsessão é essa que tem com a morte?
Não é obsessão nenhuma, estava só...
O senhor Moscardo...
Por favor, trate-me por doutor Abílio Pisca.
(oliveira revira os ramos de cima, aqueles que já passam o telheiro)
O doutor Abílio Pisca tem medo de morrer, é?
Não, oiça, não está a perceber. É um assunto importante.
Importante é ter água. Já alguma vez teve sede? Muita sede?
Sim, claro.
E agradou-lhe, a sensação?
Evidentemente que não.
E já alguma vez morreu?
Que pergunta... É óbvio que não!
Então não percebo o seu problema.
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Wednesday, August 24, 2011
adolescência
Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. (M. de Assis in Memórias Póstumas de Brás Cubas)
- Mas se nem gente és, oliveira...
- Dizes tu. Se não sou gente, que sou eu?
- Uma árvore. Uma oliveira.
- E desde quando falam as árvores?
(...)
- Traz-me lá o emplastro* e vai-te deitar que amanhã trabalhas.
*o comando da televisão
Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. (M. de Assis in Memórias Póstumas de Brás Cubas)
- Mas se nem gente és, oliveira...
- Dizes tu. Se não sou gente, que sou eu?
- Uma árvore. Uma oliveira.
- E desde quando falam as árvores?
(...)
- Traz-me lá o emplastro* e vai-te deitar que amanhã trabalhas.
*o comando da televisão
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só temos o que está exposto
Tuesday, February 01, 2011
DO MEDO DO ATAVISMO MAIS QUE CERTO DAS CLASSES LITERATAS
(sim, é mais um post sobre academismo)
Da série Títulos Que Ficaram Para Trás
(sim, é mais um post sobre academismo)
Da série Títulos Que Ficaram Para Trás
1. A METAFÍSICA DO LUPANANR
Que é como quem diz, “em Portugal sempre se confundiu humanidade com vulgaridade”
Ou ainda
Ai meu deus, ajuda-me, que não somos nada, ou se calhar até somos, mas não é importante e vamos todos morrer à mesma. E eu não quero morrer assim.
2. DO LUPANAR A UTOPIA
percursos do Cristo-Menino do Romantismo ao Modernismo
3. DA METAFÍSICA DO LUPANAR AO ASCETISMO DA CRIANÇA RANHOSA
um estudo sobre dialéctica
4. LEVANTAS-ME A SAIA OUTRA VEZ E EU PARTO-TE A CARA À ESTALADA
uma análise da sexualidade de Pessoa aplicada ao Cristo-Menino (da perspectiva histórica e antropológica das raparigas das bilhas)
5. DA NOSSA SENHORA À LONGCHAMP
para uma história das malas
6. DA SÍFILIS NO CÉU AO BICHO DA ESCRITA NA TERRA
uma antologia de tragédias
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1º pessoa do plural à direita,
crise de espondilose,
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Saturday, July 10, 2010
REVOLTA OLIVEIRENSE

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
por Manuel Bandeira
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Wednesday, May 19, 2010
NESTE QUINTAL
- ... neste mesmo quintal onde estão agora, já houve galinhas. E coelhos. Mas esta história é com galinhas.
Noites quentes são boas para passar o serão na palheta com a minha oliveira. Ia explicar-lhe a teoria da relatividade, levava um pacote de bolachas maria torrada e um balde com água fresquinha, uma limonada para mim... e oiço vozes, uma grande galhofa na verdade.
- Não havia coelhos nenhuns! - dizia o Sapo
- Como eu estava a dizer, senhor Sapo, esta história é com galinhas. Com uma galinha em particular - continuou a Dona Violeta.
- Galinhas havia, lá isso é verdade.
Aqui decidi pousar o balde com água. Começava a pesar e a história prometia. Puxei um banco e fiquei à janela.
- Estávamos em mil nove e cinquentas, vivia aqui uma senhora com o Anjinho. Era a Dona Emília. Pelava-me de medo dela, que não tinha medo de nada nem de ninguém e tinha como única preocupação o Anjinho. Nunca me aproximei do Anjinho, como calculam; havia vassouras e a senhora era de um porte respeitável.
A Dona Violeta parou uns segundos com um tique nervoso no olho enquanto repetia "vassouras" entredentes. Respirou fundo e retomou a história:
- Para além do Anjinho, tinha grande adoração pela galinha de estimação, que estava na capoeira grande, ao canto. E um dia, a galinha adoeceu. Não punha ovos, andava acabrunhada, meio cá meio lá. A Dona Emília decidiu então fazer o que se fazia sempre que alguém cá em casa ficava doente - telefonar ao Gualter.
- O da Rua Sésamo?
- Ó criatura, mas quem és tu? Aí empoleirada na Aurora, olha que ainda cais, que ela não anda bem.
- Eu sou a boneca de pano da eurídice. Estava muito frio lá dentro e o Artaxerxes convidou-me para o quintal.
- O Senhor Artaxerxes também não pode ver um rabo de saias, não é? - replicou a Dona Paciência de dentro
- E a Dona Paciência sempre é muito quadrilheira.
- Não, não era o Gualter da Rua Sésamo, que modernices mais tontas. Esse era um boneco, filha, não era a sério. Esta juventude, palavra que não sei o que andam a aprender na escola - respondeu, indignadíssima, a Dona Violeta.
- Julguei...
- Julgou mal. Mas continuando: a galinha ficou doente e sem galinha é que a Dona Emília não ficava, que esta dava uns ovos que eram uma maravilha. Telefonou-se para o Gualter, que era médico e já tinha tratado o Anjinho, e o Gualter percebe que a galinha tinha de ser operada. A Dona Emília arregaça as mangas, esteriliza uma navalha, emborracha o bicho (e o quintal inteiro, na verdade. Foi uma noite tão animada!) e, ao telefone com o Gualter que lhe ia dando indicações, abre a galinha pelo bucho com precisão cirúrgica e extirpa-lhe o mal.
- A Dona Emília operou a galinha?!
- Sozinha?
- Não acredito!
- Pois acreditem, pequenada, que é bem verdade. Apesar de meio zonza, vi tudo pelo vidro da porta da cozinha. A minha mãezinha, que Deus a tenha em paz e sossego, dizia-me que nunca tinha visto tal coisa e finou-se pouco depois, acho que de pasmo.
- Ó Dona Violeta - dizia a oliveira - tem mesmo a certeza que isso foi assim que se passou? A eurídice nunca me contou nada e ela conta-me sempre tudo.
- Filha, vi eu, com estes dois que a terra há-de comer! Ia agora enganar-te?! Se não te contou é porque não sabe, ora! Além disso, era o Anjinho ainda pequenino. Eu cá não o achava Anjinho nenhum. Diabo Negro era o que ela era, a espantar-me o almoço todos os dias aqui a correr de um lado para o outro. Não havia mosca que assentasse.
- Então e a galinha? - pergunta a boneca de trapos da eurídice empoleirada na Aurora.
- A galinha, pois que sobreviveu. A Dona Emília coseu-a e pô-la a convalescer debaixo da chaminé (isto está muito mudado, já não há chaminé nenhuma, é uma pena), acordou da delicadíssima intervenção cirúrgica e ainda pôs ovos durante um ror de anos - concluiu a Dona Violeta.
- Impressionante! - espantava-se a minha oliveira.
- Uma grande mulher, a Dona Emília - lembrou a Dona Violeta. - Uma grande mulher! Ainda lhe guardo saudade, apesar de tudo.
Ali ficaram mais um bocadinho e, quando me levantava para ir à minha vida, ouvi perguntar:
- E essa galinha, onde andará? Nunca a vi por aqui.
- O Anjinho sempre gostou muito de canja... - rematou a osga.
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Saturday, March 06, 2010
MITOLOGIAS
Em cada divisão por que passávamos, o silêncio.
Mudos e quedos - que nem os penedos - o Sapo e a Maria Paciência, que já se tinham manifestado contra a vinda do Teodoro assim sem terem sido tidos nem achados, fulminaram-me com o olhar.
- Artaxerxes... Que nome mais tolo! Deve saber muito de pianos, deve. E aquela roupa, que coisa mais disparatada. Achará por acaso que vai tomar o mundo a partir do quintal da eurídice? O meu pai conheceu o pai dele e disse sempre que aquilo não era boa gente. Andou por aí a tomar terras sem rei nem roque. E terras boas.
- E a mão maior que a outra, Dona Paciência, já viu aquilo? É que é uma diferença grande, não sei se reparou
- Então não reparei. Parecia sei lá o quê...
Foi a oliveira que os ouviu, de manhã.
Em cada divisão por que passávamos, o silêncio.
Mudos e quedos - que nem os penedos - o Sapo e a Maria Paciência, que já se tinham manifestado contra a vinda do Teodoro assim sem terem sido tidos nem achados, fulminaram-me com o olhar.
- Artaxerxes... Que nome mais tolo! Deve saber muito de pianos, deve. E aquela roupa, que coisa mais disparatada. Achará por acaso que vai tomar o mundo a partir do quintal da eurídice? O meu pai conheceu o pai dele e disse sempre que aquilo não era boa gente. Andou por aí a tomar terras sem rei nem roque. E terras boas.
- E a mão maior que a outra, Dona Paciência, já viu aquilo? É que é uma diferença grande, não sei se reparou
- Então não reparei. Parecia sei lá o quê...
Foi a oliveira que os ouviu, de manhã.
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Thursday, February 25, 2010
OLIVEIRA, O QUE ME DIZES DESTE TEMPO?
perguntei-lhe da porta, a medo e cheia de cuidado para não me molhar.
Ela respondeu citando o recém-achado (porque também já lá estava antes da oliveira ser da Eurídice) Fernando Assis Pacheco:
- Se falares com o S. Pedro este fim de semana, diz a esse senhor que é isto que eu penso da gerência pluvial deste ano:
Oliveira da Eurídice dixit, com a ajuda preciosa do nosso poeta amigo de serviço
perguntei-lhe da porta, a medo e cheia de cuidado para não me molhar.
Ela respondeu citando o recém-achado (porque também já lá estava antes da oliveira ser da Eurídice) Fernando Assis Pacheco:
- Se falares com o S. Pedro este fim de semana, diz a esse senhor que é isto que eu penso da gerência pluvial deste ano:
Oliveira da Eurídice dixit, com a ajuda preciosa do nosso poeta amigo de serviço
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Wednesday, January 20, 2010
"Não tinhas dito que ias comprar muito menos roupa em 2010?", perguntou-me. "E que ias acordar bem disposta todos os dias?"
Nunca mais lhe conto nada. Ainda por cima apanhei-a ontem a esconder O Estrangeiro debaixo do vaso, quando cheguei. "Vou ler menos franceses...". Pois, 'tá bem. Quero vê-la a cobrar-me resoluções de ano novo quando acabar de ler o menino Camus e precisar de um chá de camomila e uma anedota para adormecer.
Nem me ajudou com os sacos.
Nunca mais lhe conto nada. Ainda por cima apanhei-a ontem a esconder O Estrangeiro debaixo do vaso, quando cheguei. "Vou ler menos franceses...". Pois, 'tá bem. Quero vê-la a cobrar-me resoluções de ano novo quando acabar de ler o menino Camus e precisar de um chá de camomila e uma anedota para adormecer.
Nem me ajudou com os sacos.
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Monday, September 07, 2009
12 COISAS DE QUE A MINHA OLIVEIRA GOSTA
1. água da chuva
2. banhos de mangueira
3. moscardos que andaram na sorbonne
4. a planta narcoléptica do vaso à sua direita
5. o sol de setembro
6. O Arranca-Corações
7. as aranhas velhas d'O Partido que fizeram teia nos penúltimos ramos a contar de baixo
8. conversa ao fim da tarde. Acontece-lhe muita coisa durante o dia.
9. fotossíntese
10. vasos grandes com vista para o rio
11. o Verão na nossa rua.
12. a barba do Anjinho
1. água da chuva
2. banhos de mangueira
3. moscardos que andaram na sorbonne
4. a planta narcoléptica do vaso à sua direita
5. o sol de setembro
6. O Arranca-Corações
7. as aranhas velhas d'O Partido que fizeram teia nos penúltimos ramos a contar de baixo
8. conversa ao fim da tarde. Acontece-lhe muita coisa durante o dia.
9. fotossíntese
10. vasos grandes com vista para o rio
11. o Verão na nossa rua.
12. a barba do Anjinho
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Friday, May 08, 2009
Um Quintal Para Todos Para Todos Um Quintal
Porque as oliveiras também têm coisa para dizer ao mundo. Porque as oliveiras também sentem medo e frio e sede e tristeza. Porque as oliveiras também se apaixonam, se perdem, se sentam e dão muitas gralhas a escrever e sentem por vezes alguma vergonha com isso. Porque uma oliveira anseia por mais oliveiras num quintal cheio de plantas de uma família antiga que ali as deixou há mais de 100 anos, ainda o Anjinho não era nascido. Porque uma oliveira gosta do seu quintal e do seu vaso, do Sol e da Chuva, das aranhas e das osgas. Porque uma oliveira cresce, sozinha, até ultrapassar a corda da roupa e não pretende ficar-se por aí. Porque uma oliveira dá azeitonas, faz sombra e traz bicharocos. Porque oliveiras há muitas, mas esta é a oliveira da eurídice. E a eurídice é desta oliveira. Oliveiras deste mundo, uni-vos! Um quintal para todos! Para todos um quintal!
Porque as oliveiras também têm coisa para dizer ao mundo. Porque as oliveiras também sentem medo e frio e sede e tristeza. Porque as oliveiras também se apaixonam, se perdem, se sentam e dão muitas gralhas a escrever e sentem por vezes alguma vergonha com isso. Porque uma oliveira anseia por mais oliveiras num quintal cheio de plantas de uma família antiga que ali as deixou há mais de 100 anos, ainda o Anjinho não era nascido. Porque uma oliveira gosta do seu quintal e do seu vaso, do Sol e da Chuva, das aranhas e das osgas. Porque uma oliveira cresce, sozinha, até ultrapassar a corda da roupa e não pretende ficar-se por aí. Porque uma oliveira dá azeitonas, faz sombra e traz bicharocos. Porque oliveiras há muitas, mas esta é a oliveira da eurídice. E a eurídice é desta oliveira. Oliveiras deste mundo, uni-vos! Um quintal para todos! Para todos um quintal!
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