SEM MEDO
disse-me a oliveira.
- Mas não é um blogue político, oliveira. Já sabes depois como é, as pessoas falam, dizem coisas, não compreendem, ficas triste.
- Isso é problema meu. Além disso, tudo é política hoje em dia e eu não tenho medo de ninguém e defendo os meus ideais e luto por aquilo que acho justo e contra o que é injusto e este é o meu quintal e o meu blogue e já quase não choro quando leio os bichos do Torga. E se pusesses o computador aqui à janela nem precisava de te pedir isto.
- Só estou a tentar explicar-te que já cá ando há mais tempo que tu e sei do que falo. Não quero ver-te triste e...
- Então não tenhas medo que eu também não.
On sera pas completement hypochrites.
Tuesday, May 25, 2010
Thursday, May 20, 2010
A OLIVEIRA ESTÁ A LER

" Eu não sou um marginal, porra.
Sou um senhor."
"- E agora, Luiz?
- Isto está visto. Isto está visto.
- E valeu a pena?
- Se valeu a pena?!... O que é que eu posso dizer a isso?...Foi como foi."
E recomenda.

" Eu não sou um marginal, porra.
Sou um senhor."
"- E agora, Luiz?
- Isto está visto. Isto está visto.
- E valeu a pena?
- Se valeu a pena?!... O que é que eu posso dizer a isso?...Foi como foi."
E recomenda.
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só temos o que está exposto
Wednesday, May 19, 2010
NESTE QUINTAL
- ... neste mesmo quintal onde estão agora, já houve galinhas. E coelhos. Mas esta história é com galinhas.
Noites quentes são boas para passar o serão na palheta com a minha oliveira. Ia explicar-lhe a teoria da relatividade, levava um pacote de bolachas maria torrada e um balde com água fresquinha, uma limonada para mim... e oiço vozes, uma grande galhofa na verdade.
- Não havia coelhos nenhuns! - dizia o Sapo
- Como eu estava a dizer, senhor Sapo, esta história é com galinhas. Com uma galinha em particular - continuou a Dona Violeta.
- Galinhas havia, lá isso é verdade.
Aqui decidi pousar o balde com água. Começava a pesar e a história prometia. Puxei um banco e fiquei à janela.
- Estávamos em mil nove e cinquentas, vivia aqui uma senhora com o Anjinho. Era a Dona Emília. Pelava-me de medo dela, que não tinha medo de nada nem de ninguém e tinha como única preocupação o Anjinho. Nunca me aproximei do Anjinho, como calculam; havia vassouras e a senhora era de um porte respeitável.
A Dona Violeta parou uns segundos com um tique nervoso no olho enquanto repetia "vassouras" entredentes. Respirou fundo e retomou a história:
- Para além do Anjinho, tinha grande adoração pela galinha de estimação, que estava na capoeira grande, ao canto. E um dia, a galinha adoeceu. Não punha ovos, andava acabrunhada, meio cá meio lá. A Dona Emília decidiu então fazer o que se fazia sempre que alguém cá em casa ficava doente - telefonar ao Gualter.
- O da Rua Sésamo?
- Ó criatura, mas quem és tu? Aí empoleirada na Aurora, olha que ainda cais, que ela não anda bem.
- Eu sou a boneca de pano da eurídice. Estava muito frio lá dentro e o Artaxerxes convidou-me para o quintal.
- O Senhor Artaxerxes também não pode ver um rabo de saias, não é? - replicou a Dona Paciência de dentro
- E a Dona Paciência sempre é muito quadrilheira.
- Não, não era o Gualter da Rua Sésamo, que modernices mais tontas. Esse era um boneco, filha, não era a sério. Esta juventude, palavra que não sei o que andam a aprender na escola - respondeu, indignadíssima, a Dona Violeta.
- Julguei...
- Julgou mal. Mas continuando: a galinha ficou doente e sem galinha é que a Dona Emília não ficava, que esta dava uns ovos que eram uma maravilha. Telefonou-se para o Gualter, que era médico e já tinha tratado o Anjinho, e o Gualter percebe que a galinha tinha de ser operada. A Dona Emília arregaça as mangas, esteriliza uma navalha, emborracha o bicho (e o quintal inteiro, na verdade. Foi uma noite tão animada!) e, ao telefone com o Gualter que lhe ia dando indicações, abre a galinha pelo bucho com precisão cirúrgica e extirpa-lhe o mal.
- A Dona Emília operou a galinha?!
- Sozinha?
- Não acredito!
- Pois acreditem, pequenada, que é bem verdade. Apesar de meio zonza, vi tudo pelo vidro da porta da cozinha. A minha mãezinha, que Deus a tenha em paz e sossego, dizia-me que nunca tinha visto tal coisa e finou-se pouco depois, acho que de pasmo.
- Ó Dona Violeta - dizia a oliveira - tem mesmo a certeza que isso foi assim que se passou? A eurídice nunca me contou nada e ela conta-me sempre tudo.
- Filha, vi eu, com estes dois que a terra há-de comer! Ia agora enganar-te?! Se não te contou é porque não sabe, ora! Além disso, era o Anjinho ainda pequenino. Eu cá não o achava Anjinho nenhum. Diabo Negro era o que ela era, a espantar-me o almoço todos os dias aqui a correr de um lado para o outro. Não havia mosca que assentasse.
- Então e a galinha? - pergunta a boneca de trapos da eurídice empoleirada na Aurora.
- A galinha, pois que sobreviveu. A Dona Emília coseu-a e pô-la a convalescer debaixo da chaminé (isto está muito mudado, já não há chaminé nenhuma, é uma pena), acordou da delicadíssima intervenção cirúrgica e ainda pôs ovos durante um ror de anos - concluiu a Dona Violeta.
- Impressionante! - espantava-se a minha oliveira.
- Uma grande mulher, a Dona Emília - lembrou a Dona Violeta. - Uma grande mulher! Ainda lhe guardo saudade, apesar de tudo.
Ali ficaram mais um bocadinho e, quando me levantava para ir à minha vida, ouvi perguntar:
- E essa galinha, onde andará? Nunca a vi por aqui.
- O Anjinho sempre gostou muito de canja... - rematou a osga.
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crise de espondilose,
quem é que manda aqui?
Sunday, April 25, 2010
AS FORMIGAS
um carreiro delas, do muro até à minha oliveira.
Comentámos que a coincidência tinha tanto de feliz como de triste, porque apesar de ter sido a música que acordámos a cantar (é um quintal alegre), nenhuma de nós gosta muito de formigas.
Por mim, deixávamo-las estar quietinhas, que depressa iriam chatear para outra freguesia, mas a oliveira foi tenaz na sua aversão e mandou chamar as tropas.
Não será muito democrático e até a repreendi. Um bocadinho, só.
A aranha dos últimos ramos entoou
e a formiga que se escondeu atrás do vaso da Aurora, cantava triste, hoje ao fim da tarde,
Devia ter ficado caladinha, foi sobremesa.
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crise de espondilose
Monday, April 12, 2010
PELA MANHÃ
veio a Aurora.
Orfã de pai e mãe, acolhia-a no meu quintal. Dizem-me que é de boas famílias, mas que era muito "rebiteza" e que se recusava a fazer o que lhe diziam na estufa. Acabava por desinquietar as outras árvores todas e, apesar de bonita e de fazer muita vista, não podiam continuar a responsabilizar-se por ela. Temiam o pior, ameaçava até não dar flores este ano se não a mudassem para o corredor das nespereiras. ("Porque as nespereiras não são umas tontas, como outras, sempre atrás de uma noiva ainda mais tonta para lhe enfeitar a grinalda").
É uma laranjeira e agora é minha. Chama-se Aurora e é, de facto, muito rebiteza. Não gosta de casamentos e não adorou a vizinhança das couves, mas encantou-se com o vaso de barro da oliveira, com o prato por baixo.
- Que maravilha, um prato por baixo do vaso. Para que serve?
- Para a Violeta, a minha inquilina, que é uma osga.
- O que é uma osga?
Vim-me embora, antes que a oliveira a chamasse.
veio a Aurora.
Orfã de pai e mãe, acolhia-a no meu quintal. Dizem-me que é de boas famílias, mas que era muito "rebiteza" e que se recusava a fazer o que lhe diziam na estufa. Acabava por desinquietar as outras árvores todas e, apesar de bonita e de fazer muita vista, não podiam continuar a responsabilizar-se por ela. Temiam o pior, ameaçava até não dar flores este ano se não a mudassem para o corredor das nespereiras. ("Porque as nespereiras não são umas tontas, como outras, sempre atrás de uma noiva ainda mais tonta para lhe enfeitar a grinalda").
É uma laranjeira e agora é minha. Chama-se Aurora e é, de facto, muito rebiteza. Não gosta de casamentos e não adorou a vizinhança das couves, mas encantou-se com o vaso de barro da oliveira, com o prato por baixo.
- Que maravilha, um prato por baixo do vaso. Para que serve?
- Para a Violeta, a minha inquilina, que é uma osga.
- O que é uma osga?
Vim-me embora, antes que a oliveira a chamasse.
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só temos o que está exposto
Monday, April 05, 2010
DA IMPERFEIÇÃO DOS VASOS
- Soube que o teu vaso fez anos. Quando pensa trocá-lo?
- Trocar de vaso? Não estava a pensar fazer tal coisa, mas por que perguntas? Não te parece bem o que tenho agora?
- Não me parece mal, por agora. Mas daqui a uns tempos esse há-de ficar pequenino, ou não?
- Já tenho este vaso há algum tempo, oliveira. Bem estimado ainda dura uns anos. E eu não vou crescer mais.
- Se o estimasses bem, a conversa era outra. E como não vais crescer mais? Então para que são esses livros todos?
- Decoração, essencialmente.
- Realmente está bonita, a casa. Mas vais trocar o meu vaso, não vais?
Este Verão, a oliveira da eurídice muda de vaso. E a eurídice vai ter mais cuidado com o vaso dela, que também se parte.
(e outros recipientes)
- Soube que o teu vaso fez anos. Quando pensa trocá-lo?
- Trocar de vaso? Não estava a pensar fazer tal coisa, mas por que perguntas? Não te parece bem o que tenho agora?
- Não me parece mal, por agora. Mas daqui a uns tempos esse há-de ficar pequenino, ou não?
- Já tenho este vaso há algum tempo, oliveira. Bem estimado ainda dura uns anos. E eu não vou crescer mais.
- Se o estimasses bem, a conversa era outra. E como não vais crescer mais? Então para que são esses livros todos?
- Decoração, essencialmente.
- Realmente está bonita, a casa. Mas vais trocar o meu vaso, não vais?
Este Verão, a oliveira da eurídice muda de vaso. E a eurídice vai ter mais cuidado com o vaso dela, que também se parte.
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1º pessoa do plural à direita
Saturday, March 20, 2010
ESTAVA AQUI A FALAR COM A VIOLETA
- Violeta?
- Sim, a osga que mora aqui debaixo do prato da água.
- Chama-se Violeta? Nao sabia que lhes davas nomes.
- Não lhe dei nome nenhum, é o nome dela. Olha que ela lembra-se bem de ti, todos os dias no quintal a mandar bolas à parede. Ainda tentou falar com A Menina Que Tu És E Que Tu Serás, mas sempre que a via, a senhora empunhava a vassoura e perseguia-a quintal fora. Desgraçada da criatura não sabia onde havia de se enfiar para ter um bocadinho de paz e fazer a tese - onde acabou por ter nota máxima com louvor e distinção, não que tenhas contribuído alguma coisa para isso.
- E sobre o que era a tese?
- Adopção de répteis e consequências socio-políticas da sua integração em quintais hostis.
- O meu quintal não é hostil!
- Agora não é. Mais ou menos. Podia ser melhor. A Violeta diz-me que isto não são condições de trabalho apropriadas a nenhuma espécie arbórea e que devia tomar conta dos meios de produção e tomar as instalações de assalto. A bem dos trabalhadores e da justiça social.
- Mas tu não trabalhas, oliveira. Vamos lá a ver onde se meteu essa Dona Violeta, para falarmos sobre umas coisas.
- Está na hora de almoço. Diz no contrato que tem direito a uma hora de almoço. Sabes como é que ela te chama?
- Não sei, mas imagino.
- Ela quer um vaso maior. Aliás, um prato maior.
- Desconfio que não há Dona Violeta nenhuma.
- Palavra que existe, eurídice. A hora de almoço dela deve estar a acabar, podes pergunta-lhe tu. Ali vem ela, a descer o muro.
E corri, como não corria desde os meus 6 anos.
- Violeta?
- Sim, a osga que mora aqui debaixo do prato da água.
- Chama-se Violeta? Nao sabia que lhes davas nomes.
- Não lhe dei nome nenhum, é o nome dela. Olha que ela lembra-se bem de ti, todos os dias no quintal a mandar bolas à parede. Ainda tentou falar com A Menina Que Tu És E Que Tu Serás, mas sempre que a via, a senhora empunhava a vassoura e perseguia-a quintal fora. Desgraçada da criatura não sabia onde havia de se enfiar para ter um bocadinho de paz e fazer a tese - onde acabou por ter nota máxima com louvor e distinção, não que tenhas contribuído alguma coisa para isso.
- E sobre o que era a tese?
- Adopção de répteis e consequências socio-políticas da sua integração em quintais hostis.
- O meu quintal não é hostil!
- Agora não é. Mais ou menos. Podia ser melhor. A Violeta diz-me que isto não são condições de trabalho apropriadas a nenhuma espécie arbórea e que devia tomar conta dos meios de produção e tomar as instalações de assalto. A bem dos trabalhadores e da justiça social.
- Mas tu não trabalhas, oliveira. Vamos lá a ver onde se meteu essa Dona Violeta, para falarmos sobre umas coisas.
- Está na hora de almoço. Diz no contrato que tem direito a uma hora de almoço. Sabes como é que ela te chama?
- Não sei, mas imagino.
- Ela quer um vaso maior. Aliás, um prato maior.
- Desconfio que não há Dona Violeta nenhuma.
- Palavra que existe, eurídice. A hora de almoço dela deve estar a acabar, podes pergunta-lhe tu. Ali vem ela, a descer o muro.
E corri, como não corria desde os meus 6 anos.
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só temos o que está exposto
Saturday, March 06, 2010
MITOLOGIAS
Em cada divisão por que passávamos, o silêncio.
Mudos e quedos - que nem os penedos - o Sapo e a Maria Paciência, que já se tinham manifestado contra a vinda do Teodoro assim sem terem sido tidos nem achados, fulminaram-me com o olhar.
- Artaxerxes... Que nome mais tolo! Deve saber muito de pianos, deve. E aquela roupa, que coisa mais disparatada. Achará por acaso que vai tomar o mundo a partir do quintal da eurídice? O meu pai conheceu o pai dele e disse sempre que aquilo não era boa gente. Andou por aí a tomar terras sem rei nem roque. E terras boas.
- E a mão maior que a outra, Dona Paciência, já viu aquilo? É que é uma diferença grande, não sei se reparou
- Então não reparei. Parecia sei lá o quê...
Foi a oliveira que os ouviu, de manhã.
Em cada divisão por que passávamos, o silêncio.
Mudos e quedos - que nem os penedos - o Sapo e a Maria Paciência, que já se tinham manifestado contra a vinda do Teodoro assim sem terem sido tidos nem achados, fulminaram-me com o olhar.
- Artaxerxes... Que nome mais tolo! Deve saber muito de pianos, deve. E aquela roupa, que coisa mais disparatada. Achará por acaso que vai tomar o mundo a partir do quintal da eurídice? O meu pai conheceu o pai dele e disse sempre que aquilo não era boa gente. Andou por aí a tomar terras sem rei nem roque. E terras boas.
- E a mão maior que a outra, Dona Paciência, já viu aquilo? É que é uma diferença grande, não sei se reparou
- Então não reparei. Parecia sei lá o quê...
Foi a oliveira que os ouviu, de manhã.
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quem é que manda aqui?
O PROFESSOR DE PIANO
Fui dizer bom dia à oliveira, saber se ainda se tinha no vaso e se estava melhor do ramo esquerdo, o mais pequenino e frágil, onde um melro de proporções épicas decidiu postar-se a debicar-lhe os insectos inquilinos
e dou com isto.
- Quem é este senhor, oliveira?
- É o Artaxerxes. Veio ver o piano e ensinar-nos a tocar. Tens bolachas Maria, daquelas torradas? Diz que gosta muito e levou a noite toda a pedir-me bolachas Maria torradas.
- Passou aqui a noite? Mas de onde veio o senhor Artaxerxes e como soube ele do piano?
- Não sei, não lhe perguntei. Mas tem uma irmã em Marrocos e uma mão maior que a outra. Acho que é a direita que é maior que a esquerda. E o melro não voltou, parece que ele e o Artaxerxes já se conheciam, e abalou para o outro lado do muro.
...
- Bom dia, minha senhora. Vamos ver esse piano?
- Chama-se Teodoro. Venha.
- Quem é este senhor, oliveira?
- É o Artaxerxes. Veio ver o piano e ensinar-nos a tocar. Tens bolachas Maria, daquelas torradas? Diz que gosta muito e levou a noite toda a pedir-me bolachas Maria torradas.
- Passou aqui a noite? Mas de onde veio o senhor Artaxerxes e como soube ele do piano?
- Não sei, não lhe perguntei. Mas tem uma irmã em Marrocos e uma mão maior que a outra. Acho que é a direita que é maior que a esquerda. E o melro não voltou, parece que ele e o Artaxerxes já se conheciam, e abalou para o outro lado do muro.
...
- Bom dia, minha senhora. Vamos ver esse piano?
- Chama-se Teodoro. Venha.
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crise de espondilose
Thursday, February 25, 2010
NÃO DESCANSOU
enquanto não lhe fiz a vontade.
Decorou o texto e não se cala com isto.
E já disse ao Anjinho que não se preocupasse, que desconfia que a eurídice nunca vai chegar a directora geral de coisa nenhuma.
E queria ser o "xé" a meio do vídeo, tão finamente metido.
enquanto não lhe fiz a vontade.
Decorou o texto e não se cala com isto.
E já disse ao Anjinho que não se preocupasse, que desconfia que a eurídice nunca vai chegar a directora geral de coisa nenhuma.
E queria ser o "xé" a meio do vídeo, tão finamente metido.
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crise de espondilose
OLIVEIRA, O QUE ME DIZES DESTE TEMPO?
perguntei-lhe da porta, a medo e cheia de cuidado para não me molhar.
Ela respondeu citando o recém-achado (porque também já lá estava antes da oliveira ser da Eurídice) Fernando Assis Pacheco:
- Se falares com o S. Pedro este fim de semana, diz a esse senhor que é isto que eu penso da gerência pluvial deste ano:
Oliveira da Eurídice dixit, com a ajuda preciosa do nosso poeta amigo de serviço
perguntei-lhe da porta, a medo e cheia de cuidado para não me molhar.
Ela respondeu citando o recém-achado (porque também já lá estava antes da oliveira ser da Eurídice) Fernando Assis Pacheco:
- Se falares com o S. Pedro este fim de semana, diz a esse senhor que é isto que eu penso da gerência pluvial deste ano:
Oliveira da Eurídice dixit, com a ajuda preciosa do nosso poeta amigo de serviço
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quem é que manda aqui?
A OLIVEIRA DA EURÍDICE ENCONTROU...
... o espírito da sua eurídice.
E perguntou-me
- Importas-te que o diga no blog? Que toda a gente fique a saber que és assim, de gancho, no fundo...
Respondi que o blog era dela e que ali dizia o que lhe apetecesse. Mas que citasse, que o trabalho científico é bonito e cai sempre bem.
Portanto cá vai: obrigada Trama pelo achamento desta senhora (porque, tal como o Brasil, a dita senhora já lá estava antes de ser descoberta).
... o espírito da sua eurídice.
E perguntou-me
- Importas-te que o diga no blog? Que toda a gente fique a saber que és assim, de gancho, no fundo...
Respondi que o blog era dela e que ali dizia o que lhe apetecesse. Mas que citasse, que o trabalho científico é bonito e cai sempre bem.
Portanto cá vai: obrigada Trama pelo achamento desta senhora (porque, tal como o Brasil, a dita senhora já lá estava antes de ser descoberta).
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és o agamémnon da minha cassandra
Saturday, February 13, 2010
Monday, February 08, 2010
ISTAMBUL
"Em todo o decurso da minha vida, o sentimento de ruína do Império Otomano e da tristeza pela miséria dos escombros que cobriam a cidade representaram os elementos característicos de Istambul. Passei a vida a lutar contra essa tristeza, ou então -- como acontece com todos os habitantes de Istambul -, a tentar aproximar-me dela." Istambul, Pamuk
A oliveira gosta de grandiosidades perdidas. Sente-se em casa, assim. Disse-me que tinha pena de não poder ir comigo, porque ainda é pequenina para andar de avião e porque não quer tirar o BI (andou a ler umas coisas...), mas eu já lhe disse que um dia vai crescer e o vento há-de encarregar-se do assunto.
Entretanto, é bom que ela e o mamute lanzudo se entendam, porque vão cá ficar uns dias a tomar conta um do outro (o iaque felpudo fez birra e vai comigo).
"Em todo o decurso da minha vida, o sentimento de ruína do Império Otomano e da tristeza pela miséria dos escombros que cobriam a cidade representaram os elementos característicos de Istambul. Passei a vida a lutar contra essa tristeza, ou então -- como acontece com todos os habitantes de Istambul -, a tentar aproximar-me dela." Istambul, Pamuk
A oliveira gosta de grandiosidades perdidas. Sente-se em casa, assim. Disse-me que tinha pena de não poder ir comigo, porque ainda é pequenina para andar de avião e porque não quer tirar o BI (andou a ler umas coisas...), mas eu já lhe disse que um dia vai crescer e o vento há-de encarregar-se do assunto.
Entretanto, é bom que ela e o mamute lanzudo se entendam, porque vão cá ficar uns dias a tomar conta um do outro (o iaque felpudo fez birra e vai comigo).
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1º pessoa do plural à direita
Sunday, February 07, 2010
Wednesday, February 03, 2010
A MINHA OLIVEIRA É UMA EXAGERADA
Somos as duas, na verdade.
Somos as duas, na verdade.
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Wednesday, January 20, 2010
"Não tinhas dito que ias comprar muito menos roupa em 2010?", perguntou-me. "E que ias acordar bem disposta todos os dias?"
Nunca mais lhe conto nada. Ainda por cima apanhei-a ontem a esconder O Estrangeiro debaixo do vaso, quando cheguei. "Vou ler menos franceses...". Pois, 'tá bem. Quero vê-la a cobrar-me resoluções de ano novo quando acabar de ler o menino Camus e precisar de um chá de camomila e uma anedota para adormecer.
Nem me ajudou com os sacos.
Nunca mais lhe conto nada. Ainda por cima apanhei-a ontem a esconder O Estrangeiro debaixo do vaso, quando cheguei. "Vou ler menos franceses...". Pois, 'tá bem. Quero vê-la a cobrar-me resoluções de ano novo quando acabar de ler o menino Camus e precisar de um chá de camomila e uma anedota para adormecer.
Nem me ajudou com os sacos.
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Sunday, January 10, 2010
DEIXOU-SE DE FRANCESES, MAS ARREPENDEU-SE LOGO
"(...) gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstrui-se-me sem ideal nem esperança (...)"
A minha oliveira pediu-me a TABACARIA plastificada e uma garrafinha de oxigénio.
Sais ao velhaco do teu pai...
"(...) gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstrui-se-me sem ideal nem esperança (...)"
A minha oliveira pediu-me a TABACARIA plastificada e uma garrafinha de oxigénio.
Sais ao velhaco do teu pai...
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só temos o que está exposto
Tuesday, January 05, 2010
EM 2010, A OLIVEIRA DA EURÍDICE VAI
acordar mais bem disposta todas as manhãs;
ser mais compreensiva com a infoexclusão do anjinho
agradecer quando a Menina Que Eu Sou E Que Eu Serei lhe varre a terra à volta do vaso e lhe dá água
dizer à eurídice que está tudo acabado com as couves da vizinha
ler menos franceses
explorar o bocadinho de quintal para lá das bilhas de gás, onde ficam as folhas velhas do tempo em que ali criava a Dona Emília galinhas e coelhos, entre muitas outras alimárias.
abrigar uma osga debaixo do prato do vaso
acordar mais bem disposta todas as manhãs;
ser mais compreensiva com a infoexclusão do anjinho
agradecer quando a Menina Que Eu Sou E Que Eu Serei lhe varre a terra à volta do vaso e lhe dá água
dizer à eurídice que está tudo acabado com as couves da vizinha
ler menos franceses
explorar o bocadinho de quintal para lá das bilhas de gás, onde ficam as folhas velhas do tempo em que ali criava a Dona Emília galinhas e coelhos, entre muitas outras alimárias.
abrigar uma osga debaixo do prato do vaso
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Monday, January 04, 2010
12 COISAS DE QUE A MINHA OLIVEIRA NÃO GOSTA
1. água de chuva excessivamente chovida (soube disso há coisa de 2 semanas, quando deixou de conseguir falar comigo porque tudo o que eu conseguia perceber era "glup-glup-glup")
2. o mamute lanzudo
3. terra espalhada fora dos vasos
4. do seu pé-de-feijãosismo
5. da tristeza do anjinho
6. da inquietação da Menina Que Sou Eu E Que Eu Serei
7. vasos pequeninos
8. da aranha que não quer fazer a teia no meu ramo de cima e prefere as folhas secas da palmeira
9. da tradução de latim que a eurídice nunca mais resolve
10. de passar sozinha as noites escuras e frias
11. de passar sozinha os dias escuros e frios
12. de não poder falar com as couves da vizinha de cima porque a eurídice não deixa
1. água de chuva excessivamente chovida (soube disso há coisa de 2 semanas, quando deixou de conseguir falar comigo porque tudo o que eu conseguia perceber era "glup-glup-glup")
2. o mamute lanzudo
3. terra espalhada fora dos vasos
4. do seu pé-de-feijãosismo
5. da tristeza do anjinho
6. da inquietação da Menina Que Sou Eu E Que Eu Serei
7. vasos pequeninos
8. da aranha que não quer fazer a teia no meu ramo de cima e prefere as folhas secas da palmeira
9. da tradução de latim que a eurídice nunca mais resolve
10. de passar sozinha as noites escuras e frias
11. de passar sozinha os dias escuros e frios
12. de não poder falar com as couves da vizinha de cima porque a eurídice não deixa
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Sunday, November 08, 2009
TRAGÉDIA
Diz-me a oliveira que, quando crescer, quer ser uma oliveira.
Desconfio que ouviu os rumores que se espalharam, desconfiando da sua oliveirice (a minha oliveira não se parece, de facto, com uma oliveira, mas A Menina Que Foi Eu E Que Eu Serei garantiu-me que, à altura do registo, a deram como oliveira - brava ou mansa, não se recorda).
De todo o modo, a minha oliveira, a oliveira da eurídice, parece determinada em ser uma oliveira, em crescer oliveira, em ser doce e inquisitória oliveira do quintal da eurídice, do meu quintal.
Voltei para dentro, convicta de que ela sabe, de saber sabido, que estou eu mais assustada que ela com este ser e não ser. Não sabia que ia ter uma oliveira shakespeariana, hamletiana. Terei, porventura, julgado que ia ser a única tragédia literária nesta casa. A ingenuidade tem destas coisas e pasmo-me quando percebo, ao desligar a luz do quintal, que ser oliveira pode ser tão complicado como ser eurídice. E dou por mim a querer ser oliveira, também.
Diz-me a oliveira que, quando crescer, quer ser uma oliveira.
Desconfio que ouviu os rumores que se espalharam, desconfiando da sua oliveirice (a minha oliveira não se parece, de facto, com uma oliveira, mas A Menina Que Foi Eu E Que Eu Serei garantiu-me que, à altura do registo, a deram como oliveira - brava ou mansa, não se recorda).
De todo o modo, a minha oliveira, a oliveira da eurídice, parece determinada em ser uma oliveira, em crescer oliveira, em ser doce e inquisitória oliveira do quintal da eurídice, do meu quintal.
Voltei para dentro, convicta de que ela sabe, de saber sabido, que estou eu mais assustada que ela com este ser e não ser. Não sabia que ia ter uma oliveira shakespeariana, hamletiana. Terei, porventura, julgado que ia ser a única tragédia literária nesta casa. A ingenuidade tem destas coisas e pasmo-me quando percebo, ao desligar a luz do quintal, que ser oliveira pode ser tão complicado como ser eurídice. E dou por mim a querer ser oliveira, também.
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Wednesday, October 21, 2009
SECA
Dadas as condições atmosféricas, a oliveira dispensou-me da tarefa de regador para os próximos tempos. E confessou-me um certo enjoo, já. Da janela, perguntei-lhe se queria alguma coisa para ler.
"Um guia de plantas aquáticas é capaz de vir a dar-te jeito." disse-me. "Para mim, traz-me só a Teoria e Metodologia Literárias, do Aguiar e Silva. Talvez ajude a contrariar a humidade."
Uma escolha pertinente, achei.
Lá a ver se não se arrepende.
Dadas as condições atmosféricas, a oliveira dispensou-me da tarefa de regador para os próximos tempos. E confessou-me um certo enjoo, já. Da janela, perguntei-lhe se queria alguma coisa para ler.
"Um guia de plantas aquáticas é capaz de vir a dar-te jeito." disse-me. "Para mim, traz-me só a Teoria e Metodologia Literárias, do Aguiar e Silva. Talvez ajude a contrariar a humidade."
Uma escolha pertinente, achei.
Lá a ver se não se arrepende.
tipos de folhagem - o inventário possível
só temos o que está exposto
Sunday, October 11, 2009
DE INSPIRATIONIBUS EXPIRATIONIBUSQUE
Esqueci-me de regar
a minha oliveira.
Uma semana sem água.
"Já leste o Viagem à Roda do Meu Quarto? Experimenta lê-lo dentro de um vaso. Depois diz-me o que achas." disse-me.
Vou regá-la. Temo que nunca mais volte a ser o que era. A adolescência é complicada, também, para as oliveiras. E aqueles bichinhos no tanque intrigam-na sobremaneira; acha que é uma nova humanidade em embrião. Não tenho como contradizê-la.
Esqueci-me de regar
a minha oliveira.
Uma semana sem água.
"Já leste o Viagem à Roda do Meu Quarto? Experimenta lê-lo dentro de um vaso. Depois diz-me o que achas." disse-me.
Vou regá-la. Temo que nunca mais volte a ser o que era. A adolescência é complicada, também, para as oliveiras. E aqueles bichinhos no tanque intrigam-na sobremaneira; acha que é uma nova humanidade em embrião. Não tenho como contradizê-la.
tipos de folhagem - o inventário possível
crise de espondilose
Friday, October 09, 2009
MANJERICO
Percebi há uns dias que a oliveira dos meus olhos não compreendeu o manjerico-gate, em Junho passado.
O que se passou foi o seguinte: Comprei um manjerico, dos pequeninos. Gosto de comprar manjericos essencialmente porque gosto de regatear com as senhoras que vendem manjericos. Quando a senhora se recusou a regatear o preço do dito, na praça da figueira, antevi uma vida trágica para o pequenino, negado que lhe fora um direito de nascença. Como se tivesse nascido sem raminhos. E se não me falha a imaginação, jugo até ter ouvido as sagradas e agoirentas gaivotas voando em círculo por cima das nossas cabeças.
Trouxe o desgraçado para casa, convicta da alegria que uma nova companhia iria trazer à minha jovem oliveira. Ultimamente andava a oliveira acabrunhada, macambúzia, talvez pelo rebuliço instalado na casa, em pleno processo de pinturas, e nem o anjinho, de volta das tintas no quintal, parecia fazê-la arrebitar.
Pois que ao cabo de uns dias de convivência entre ambas a espécie floral e arbórea, chego a casa para encontrar o destino consumado: o manjerico caído no chão, o vaso partido, terra e folhas espraiadas pelo frio da tijoleira.
"Que se passou?" pergunto à oliveira.
"Não aguentou a pressão" respondeu-me. "Já manjerico não sou!" foi o que ele disse, antes de se mandar do parapeito da janela."
Foi este o relato do sucedido segundo a minha oliveira. "Os manjericos são muito frágeis, pá! Não se lhes pode dizer nada."
Não pude discordar. Os manjericos são, efectivamente, frágeis. Até hoje não sei o que ela terá dito ao pobre do manjerico; sei, porém, que não voltei a comprar-lhe um manjerico e que não tem sido fácil arranjar-lhe uma companhia. Hoje, 4 meses decorridos de tão negro dia, preparo-me para regar aquele pé de feijão, quando oiço
"Então e o manjerico?"
"Que tem o manjerico?" olho para trás, desviando a atenção dos minúsculos animais que se desenvolveram na água estagnada do meu tanque (outra história, para depois).
"Onde anda esse manel? Nunca mais o vi. Mandou-se do parapeito sem ai nem ui, eu aqui tão quietinha que não lhe fiz mal nenhum e nunca mais disse nada"
"O manjerico morreu." respondi, com o sobrolho meio franzido de incrédula que estava com a pergunta.
"Sim, já me tinhas dito, mas onde anda ele? Porque é que nunca mais voltou?" Também te zangaste com o manjerico? És de gancho, também" Foi aqui que comecei a ficar preocupada.
A minha oliveira não percebeu o que se passou.
E não vou ser eu a explicar-lhe, que dada à melancolia já ela é. Sobretudo agora, que anda de amizades com as couves da vizinha de cima.
Percebi há uns dias que a oliveira dos meus olhos não compreendeu o manjerico-gate, em Junho passado.
O que se passou foi o seguinte: Comprei um manjerico, dos pequeninos. Gosto de comprar manjericos essencialmente porque gosto de regatear com as senhoras que vendem manjericos. Quando a senhora se recusou a regatear o preço do dito, na praça da figueira, antevi uma vida trágica para o pequenino, negado que lhe fora um direito de nascença. Como se tivesse nascido sem raminhos. E se não me falha a imaginação, jugo até ter ouvido as sagradas e agoirentas gaivotas voando em círculo por cima das nossas cabeças.
Trouxe o desgraçado para casa, convicta da alegria que uma nova companhia iria trazer à minha jovem oliveira. Ultimamente andava a oliveira acabrunhada, macambúzia, talvez pelo rebuliço instalado na casa, em pleno processo de pinturas, e nem o anjinho, de volta das tintas no quintal, parecia fazê-la arrebitar.
Pois que ao cabo de uns dias de convivência entre ambas a espécie floral e arbórea, chego a casa para encontrar o destino consumado: o manjerico caído no chão, o vaso partido, terra e folhas espraiadas pelo frio da tijoleira.
"Que se passou?" pergunto à oliveira.
"Não aguentou a pressão" respondeu-me. "Já manjerico não sou!" foi o que ele disse, antes de se mandar do parapeito da janela."
Foi este o relato do sucedido segundo a minha oliveira. "Os manjericos são muito frágeis, pá! Não se lhes pode dizer nada."
Não pude discordar. Os manjericos são, efectivamente, frágeis. Até hoje não sei o que ela terá dito ao pobre do manjerico; sei, porém, que não voltei a comprar-lhe um manjerico e que não tem sido fácil arranjar-lhe uma companhia. Hoje, 4 meses decorridos de tão negro dia, preparo-me para regar aquele pé de feijão, quando oiço
"Então e o manjerico?"
"Que tem o manjerico?" olho para trás, desviando a atenção dos minúsculos animais que se desenvolveram na água estagnada do meu tanque (outra história, para depois).
"Onde anda esse manel? Nunca mais o vi. Mandou-se do parapeito sem ai nem ui, eu aqui tão quietinha que não lhe fiz mal nenhum e nunca mais disse nada"
"O manjerico morreu." respondi, com o sobrolho meio franzido de incrédula que estava com a pergunta.
"Sim, já me tinhas dito, mas onde anda ele? Porque é que nunca mais voltou?" Também te zangaste com o manjerico? És de gancho, também" Foi aqui que comecei a ficar preocupada.
A minha oliveira não percebeu o que se passou.
E não vou ser eu a explicar-lhe, que dada à melancolia já ela é. Sobretudo agora, que anda de amizades com as couves da vizinha de cima.
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és o agamémnon da minha cassandra
Monday, September 07, 2009
12 COISAS DE QUE A MINHA OLIVEIRA GOSTA
1. água da chuva
2. banhos de mangueira
3. moscardos que andaram na sorbonne
4. a planta narcoléptica do vaso à sua direita
5. o sol de setembro
6. O Arranca-Corações
7. as aranhas velhas d'O Partido que fizeram teia nos penúltimos ramos a contar de baixo
8. conversa ao fim da tarde. Acontece-lhe muita coisa durante o dia.
9. fotossíntese
10. vasos grandes com vista para o rio
11. o Verão na nossa rua.
12. a barba do Anjinho
1. água da chuva
2. banhos de mangueira
3. moscardos que andaram na sorbonne
4. a planta narcoléptica do vaso à sua direita
5. o sol de setembro
6. O Arranca-Corações
7. as aranhas velhas d'O Partido que fizeram teia nos penúltimos ramos a contar de baixo
8. conversa ao fim da tarde. Acontece-lhe muita coisa durante o dia.
9. fotossíntese
10. vasos grandes com vista para o rio
11. o Verão na nossa rua.
12. a barba do Anjinho
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quem é que manda aqui?
Sunday, May 17, 2009
CIENTIFICIDADES ALHEIAS A UMA OLIVEIRA
Pois que me disse a minha oliveira uma destas manhãs (parece que ela gosta mais das manhãs para estas coisas) que não percebia isso de estudos literários nem tinha grande certeza do que queriam exactamente aqueles senhores todorovs nem bakhtins nem tampouco marias vitalinas. E disse ainda que o que lhe parecia a ela, oliveira da eurídice, era que andava muita gente, demasiada gente, inconformada, triste e envergonhada, até, talvez, com o facto de andarem muitos anos em escolas e colégios e universidades a estudar uma coisa que, para todos eles, tinha tão pouca importância, que decidiram tentar torná-la científica.
Ora isto não deixou de me fazer certa espécie, comichão na coluna, impressão no calcanhar.
Na verdade, parece-me que todorovs e bakhtins nunca ensinaram ninguém a escrever. Perceber o que estava escrito, as palavras, os sentidos, os batuques dos ritmos no estômago, sentir náusea, afecto e puro aborrecimento são coisas de quem lê, com ou sem estruturalismo tristemente amarfanhado num canto do cérebro que guarda tais pérolas. "Ler e escrever é para quem quer e para quem sabe por cima do querer.", disse-me ela.
Arrumei o regador. Não sou cientista das letras. Não há ciência nas letras. A literatura é uma coisa que acontece, como a fotosíntese, mas ninguém gosta da fotosíntese nem ninguém a recomenda a um amigo nem paga €25 por ela. E ninguém é cientista por conseguir ler um livro.
Não é triste nem é de gente burra ir para letras. Se é mais fácil, não faço ideia. Para mim, foi! Era melhor se assumissemos todos que enquadrar a obra no contexto político social não é bem a mesma coisa que dividir um átomo (para começar, a Humanidade não acaba quando contextualizamos uma obra), digamos que parece menos exigente. A mim. parece-me. Mas de certeza que quem quer dividir um átomo não leu o suficiente quando era criança para saber que isso também não é muito importante.
Um livro para todos!
Para todos um livro!
(a oliveira da eurídice gostou d' As Aventuras do João Sem Medo. Ela acha que, acima de tudo, é um livro com perspectiva. Óptimo para quem não a tem.)
Pois que me disse a minha oliveira uma destas manhãs (parece que ela gosta mais das manhãs para estas coisas) que não percebia isso de estudos literários nem tinha grande certeza do que queriam exactamente aqueles senhores todorovs nem bakhtins nem tampouco marias vitalinas. E disse ainda que o que lhe parecia a ela, oliveira da eurídice, era que andava muita gente, demasiada gente, inconformada, triste e envergonhada, até, talvez, com o facto de andarem muitos anos em escolas e colégios e universidades a estudar uma coisa que, para todos eles, tinha tão pouca importância, que decidiram tentar torná-la científica.
Ora isto não deixou de me fazer certa espécie, comichão na coluna, impressão no calcanhar.
Na verdade, parece-me que todorovs e bakhtins nunca ensinaram ninguém a escrever. Perceber o que estava escrito, as palavras, os sentidos, os batuques dos ritmos no estômago, sentir náusea, afecto e puro aborrecimento são coisas de quem lê, com ou sem estruturalismo tristemente amarfanhado num canto do cérebro que guarda tais pérolas. "Ler e escrever é para quem quer e para quem sabe por cima do querer.", disse-me ela.
Arrumei o regador. Não sou cientista das letras. Não há ciência nas letras. A literatura é uma coisa que acontece, como a fotosíntese, mas ninguém gosta da fotosíntese nem ninguém a recomenda a um amigo nem paga €25 por ela. E ninguém é cientista por conseguir ler um livro.
Não é triste nem é de gente burra ir para letras. Se é mais fácil, não faço ideia. Para mim, foi! Era melhor se assumissemos todos que enquadrar a obra no contexto político social não é bem a mesma coisa que dividir um átomo (para começar, a Humanidade não acaba quando contextualizamos uma obra), digamos que parece menos exigente. A mim. parece-me. Mas de certeza que quem quer dividir um átomo não leu o suficiente quando era criança para saber que isso também não é muito importante.
Um livro para todos!
Para todos um livro!
(a oliveira da eurídice gostou d' As Aventuras do João Sem Medo. Ela acha que, acima de tudo, é um livro com perspectiva. Óptimo para quem não a tem.)
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Friday, May 08, 2009
Um Quintal Para Todos Para Todos Um Quintal
Porque as oliveiras também têm coisa para dizer ao mundo. Porque as oliveiras também sentem medo e frio e sede e tristeza. Porque as oliveiras também se apaixonam, se perdem, se sentam e dão muitas gralhas a escrever e sentem por vezes alguma vergonha com isso. Porque uma oliveira anseia por mais oliveiras num quintal cheio de plantas de uma família antiga que ali as deixou há mais de 100 anos, ainda o Anjinho não era nascido. Porque uma oliveira gosta do seu quintal e do seu vaso, do Sol e da Chuva, das aranhas e das osgas. Porque uma oliveira cresce, sozinha, até ultrapassar a corda da roupa e não pretende ficar-se por aí. Porque uma oliveira dá azeitonas, faz sombra e traz bicharocos. Porque oliveiras há muitas, mas esta é a oliveira da eurídice. E a eurídice é desta oliveira. Oliveiras deste mundo, uni-vos! Um quintal para todos! Para todos um quintal!
Porque as oliveiras também têm coisa para dizer ao mundo. Porque as oliveiras também sentem medo e frio e sede e tristeza. Porque as oliveiras também se apaixonam, se perdem, se sentam e dão muitas gralhas a escrever e sentem por vezes alguma vergonha com isso. Porque uma oliveira anseia por mais oliveiras num quintal cheio de plantas de uma família antiga que ali as deixou há mais de 100 anos, ainda o Anjinho não era nascido. Porque uma oliveira gosta do seu quintal e do seu vaso, do Sol e da Chuva, das aranhas e das osgas. Porque uma oliveira cresce, sozinha, até ultrapassar a corda da roupa e não pretende ficar-se por aí. Porque uma oliveira dá azeitonas, faz sombra e traz bicharocos. Porque oliveiras há muitas, mas esta é a oliveira da eurídice. E a eurídice é desta oliveira. Oliveiras deste mundo, uni-vos! Um quintal para todos! Para todos um quintal!
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