oliveira da eurídice

oliveira da eurídice

Sunday, April 25, 2010

AS FORMIGAS

um carreiro delas, do muro até à minha oliveira. 
Comentámos que a coincidência tinha tanto de feliz como de triste, porque apesar de ter sido a música que acordámos a cantar (é um quintal alegre), nenhuma de nós gosta muito de formigas. 


Por mim, deixávamo-las estar quietinhas, que depressa iriam chatear para outra freguesia, mas a oliveira foi tenaz na sua aversão e mandou chamar as tropas.


Não será muito democrático e até a repreendi. Um bocadinho, só.
A aranha dos últimos ramos entoou 


e a formiga que se escondeu atrás do vaso da Aurora, cantava triste, hoje ao fim da tarde, 


Devia ter ficado caladinha, foi sobremesa.

5 comments:

Anonymous said...

Se, como diz o senhor de óculos, as formigas vinham em sentido contrário, o mais avisado teria sido chamar a Divisão de Trânsito para tomar conta da ocorrência. Mesmo que tivesse que fazer autuações ou mesmo uma detenção ou outra, ter-se-ia evitado essa carnificina no melhor estilo Carmageddon.

olobobom

oliveira da eurídice said...

hoje foi feriado, lobobom...
A Brigada de Trânsito estava toda a controlar as formigas na manifestação na Avenida da Liberdade, não valia a pena chamá-los. E essas formigas, essas é que iam todas cada uma para seu lado :)

HMJ said...

HMJ disse:
Para quem não saiba, as formigas têm maridos chamados "formigos" ou "mexidos" !
Comem-se, pelo Natal, no Minho, são docinhos, sabem a pão, ovos, vinho do Porto, amêndoa, passas e, por cima, canela.

oliveira da eurídice said...

Então, HMJ, este foi um dia de luto para os formigos mariapienses...
Se bem que devo dizer que estranho o travo adocicado dessas criaturas, já que suas dedicadas esposas são tudo menos doces. Tive a infelicidade de provar uma vez uma formiga (ao contrário do incidente com a abelha, a ingestão da formiga foi voluntária) e o meu paladar acusou ácido. Muito ácido. Deviam ser formigas judias de Nova Iorque.

APS said...

O O'Neill é que gostava delas, o malandro!:
"Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga:
leva a sua palhinha
asinha, asinha.

Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.

Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão.
...."